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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A pedagogia e a performance dos instrumentos de cordas no Brasil: um passado que ainda é realidade

Por Gláucia Borges Scoggin

Resumo: O processo de aprendizado e qualificação do instrumentista de cordas, no Brasil, é prejudicado por uma série de problemas relacionados à tradição musical do povo brasileiro, à disponibilidade de ensino básico, superior e de pós-graduação qualificados, ao número de professores competentes, à obtenção de instrumentos e materiais correlatos, e ao mercado de trabalho. Minha pesquisa de doutorado sobre este assunto, finalizada em 1993 e disponibilizada pela University Microfilms International, detectou sérios problemas – que formam um círculo vicioso cujo principal componente é a formação básica desse instrumentista – agravados pela falta de perspectivas de solução.

Artigo completo aqui.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

P.Q.P. Bach

Hoje vou fazer a propaganda de um Blog que estou visitando com muita frequencia esses últimos dias. P.Q.P. Bach (Peter Qualvoll Publizieren Bach) foi o vigésimo primeiro filho de Johann Sebastian Bach. Além de usar uma linguagem super divertida, o Blog é muito útil para aqueles que estudam ou simplesmente gostam de ouvir música erudita.
Nele você pode encontrar o áudio de várias obras de vários artistas.

Aproveitem:
P.Q.P. Bach

domingo, 3 de agosto de 2008

01 de Agosto: Dia do Maracatú

O ritmo afro-brasileiro, que conquistou Pernambuco há mais de 300 anos, faz aniversário no dia o1 de Agosto.
A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música junta-se, em uma mistura inesperada, ao grupo Nação Pernambuco e prestam uma homenagem a esse rítmo que era obrigatório nas senzalas e nos canaviais em dias de festa.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ah... Chico.



Amanhã vai ser outro día x 3

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá...

"Vocês não estão entendendo NADA"

Discurso de Caetano

Ouça o discurso aqui.

Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê‑la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!

Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker!
Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês.
O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho.
O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso!

Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem... se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto
a vocês... O júri é muito simpático, mas é incompetente.

Deus está solto! Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, livros. Livros, eu digo SIM! E eu digo NÃO ao não!

Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil?
Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver.

Chega!


Tropicalismo: Nova atitude, nova música.

O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Apesar de ter se revelado tão explosiva quanto breve, com pouco mais de um ano de vida oficial, a Tropicália seguiu influenciando grande parte da música popular produzida no país pelas gerações seguintes. Até mesmo em trabalhos posteriores de medalhões da MPB mais tradicional, como Chico Buarque e Elis Regina, pode-se encontrar efeitos do "som universal" tropicalista. Descendentes diretos ou indiretos do movimento continuaram surgindo em décadas posteriores, como o cantor Ney Matogrosso e a vanguarda paulistana do final dos anos 70, que incluía Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e o Grupo Rumo. Ou, já nos anos 90, o compositor pernambucano Chico Science, um dos líderes do movimento Mangue Bit, que misturou pop eletrônico com ritmos folclóricos locais. Ou ainda um grupo de compositores e intérpretes do Rio de Janeiro, como Pedro Luís, Mathilda Kóvak, Suely Mesquita e Arícia Mess, que lançaram em 1993 um projeto com pose de movimento intitulado Retropicália.

O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.

Site com maiores informações sobre o movimento.
Em 1968, depois da edição do AI-5, a Música Popular Brasileira começa a ser alvo de perseguições. A peça Roda Vida, de Chico Buarque, encenada por José Celso Martinez, é atacada Pelo CCC (Comando da Caça aos Comunistas), e a música "Pra não dizer que não falei de flores" de Geraldo Vandré, teve sua gravação recolhida pelo governo militar.
A censura não só proibia a veiculação de peças e músicas, mas também procurava interferir no processo de criação dessas obras. Chamando os compositores para explicarem suas composições, os censores surgeriam mudanças nas letras, sob pena de as músicas não serem aprovadas.
A censura apresentava-se sob dois ângulos: uma repressiva, que dizia "não", e outra, disciplinadora, que incentivava uma certa orientação na produção artística.
Os festivais organizados a partir de 1969, sem a presença de compositores consagrados, sentiram os efeitos da "diáspora" e da repressão imposta pelo AI-5 de 1968.
Em 1970, com Caetano Veloso e Gilberto Gil ainda exilados em Londres, Chico Buarque retorna ao Brasil, e seu compacto com a música "Apesar de Você" é vetado pela censura. A gravação dessa música seria permitida somente em 1978, momento em que é revogado o AI-5, no governo Geisel, e tem andamento o processo de abertura política.

Pra não dizer que não falei de flores:



Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Ato Institucional No 5

O Brasil é um país que há muito tempo vive problemas sociais.
Hoje pretendo falar sobre mais um exemplo de abuso de poder e desrespeito para com a liberdade e direitos da população brasileira.
O Ato Institucional No 5 (AI-5) entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, muito antes do meu nascimento. Mas eu tive a oportunidade de saber um pouco mais sobre ele quando toquei com o Quinteto Violado.
Esse ano fazem 40 anos que o AI-5 entrou em vigor. E muita gente sofreu bastante por causa dele.
O AI-5, foi um instrumento de poder que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. E entre outras ordens mandadas pelo Ato, recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político.

Leia na integra o AI-5.

Nos próximos dias pretendo falar sobre os movimentos artísticos que aconteceram durante essa época.

domingo, 11 de maio de 2008

Movimento Armorial


“A arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a relação com o espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste, Literatura de Cordel, com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus cantares e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionados”. (Ariano Suassuna)

Definição
O Movimento Armorial é representado pela arte produzida no nordeste brasileiro, tipicamente nacional, fundada nos mitos e na cultura popular. Tem como principal objetivo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares do nosso país. É influenciado por manifestações populares como a literatura de cordel, com sua poesia, suas xilogravuras, e o canto dos seus versos, acompanhado por viola, pífanos e rabeca, como também por personagens míticas, o mamulengo e animais misteriosos do folclore como o cavalo-marinho e o bumba-meu-boi.
São encontradas manifestações artísticas do movimento na literatura, pintura, escultura, arquitetura, música, dança, cerâmica, tapeçaria, teatro e cinema.
Surgiu sobre a direção de Ariano Suassuna, um grupo de artistas da região e teve um importante apoio da Universidade Federal de Pernambuco.
Seu lançamento oficial foi no dia 18 de outubro de 1970, na igreja São Pedro dos Clérigos, em Recife, com a realização de um concerto da Orquestra Armorial e uma exposição de artes plásticas.

Literatura
Inspirados no espírito e na forma do romanceiro popular nordestino, além do próprio Ariano Suassuna, a literatura armorial conta com poetas Ângelo Monteiro, Janice Japiassu e Marcus Accioly e escritores como Raimundo Carrero e Maximiano Campos.

Exemplos de obras:
Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (Ariano Suassuna), Auto da Compadecida (Ariano Suassuna), A Pena e Lei (Ariano Suassuna), A História de Amor de Fernando e Isaura (Ariano Suassuna), Maça Agreste (Raimundo Carrero), Sem Lei nem Rei (Maximiano Campos).
Encontramos também material informativo sobre o Movimento. Além de documentários e críticas encontradas nos jornais. Como exemplo temos: Em Demanda da Poética Popular (Idellete M. Fonseca dos Santos).

Pintura, Cerâmica, Escultura e Tapeçaria
“Desenho tosco e forte, quase sempre contornado, como herança da pintura popular; semelhança com os brasões, bandeiras e estandartes dos espetáculos populares nordestinos”. (Ariano Suassuna)
Destacam-se Francisco Brennand, Miguel dos Santos, Gilvam Samico e Fernando Lopes da Paz.








Teatro e Cinema
Parte dos romances, das histórias trágicas ou picarescas da literatura de cordel. Todas as obras de Ariano Suassuna são armoriais, portanto existem exemplos datados desde 1947.
1947 - Uma mulher vestida de sol
1950 - Auto de João da Cruz
1952 - O arco desolado
1955 - Auto da Compadecida
1957 - O casamento suspeitoso
1957 - O santo e a porca, imitação nordestina de Plauto
1959 - A pena e a lei
1960 - Farsa da boa preguiça
No cinema, o principal exemplo é de 1969, o Auto da Compadecida. “Trágico ou cômico, um filme tinha que ser marcado pelo elemento épico, festivo e espetacular do teatro popular nordestino” (Ariano Suassuna).

Trailler O Auto da Compadecida:
http://youtube.com/watch?v=3_xKSu8Ra60

Dança
Balé Armorial e posteriormente o Balé Popular do Recife.
Grupos Grial de Dança, apresentou o espetáculo “A demanda do Graal Dançado”, Grupo Arraial Vias da Dança com o espetáculo “Pernambuco do Barroco ao Armorial”.

Arquitetura
Teatro Arraial (homenagem ao Arraial de Canudos) e o Espaço Ilumiara Zumbi, em frente a residência de Mestre Salustiano, em Olinda.










Música Armorial
A Criação da Música Armorial
O primeiro passo para a criação da Música Armorial foi a chegada do compositor Guerra Peixe ao Recife, na década de 50. Com sua chegada, para trabalhar na Rádio do Jornal do Commercio, encantou-se com o Maracatu e começou a estudar a diversidade cultural pernambucana.

"Durante 3 anos me meti nos xangôs, maracatus, viajei
para o interior,recolhi músicas de rezas para defunto, da banda de pífanos..." (Guerra Peixe)

A Música Armorial, ou Música Erudita Nordestina é a música inspirada na rabeca, na viola sertaneja, na banda de pífano e nas cantorias. Faz um paralelo entre a música nordestinas e suas raízes ibéricas, barrocas. Na Orquestra Armorial a rabeca era representada pelo violino e viola. A banda de pífano era imitada pela flauta e percussão. A viola sertaneja pelo cravo, já que os dois são de cordas pinçadas e de aço.

Compositores e Obras
A produção de músicas armoriais começou em 1969, quando Ariano Suassuna pediu a Guerra Peixe que fizesse obras para os grupos armoriais ativos no momento. Todas as outras composições de Guerra Peixe não deveriam ser ligadas ao Movimento até então, assim como a obra de Villa Lobos, ela tinha uma filosofia da Escola Nacionalista. A diferença é que essa escola buscava trazer elementos populares para a música erudita européia, tentando agregar-los a todo o conhecimento que a música européia já havia atingido.
As influências da cultura portuguesa são indiscutíveis no folclore popular brasileiro. Desde os instrumentos as danças infantis de roda e dramáticas, como os Pastoris, Chegança e Bumba-Meu-Boi.
Da cultura africana herdamos os instrumentos de percussão (ganzá, cuíca e atabaque) e vários elementos rítmicos importantes. Anos após a chegada de Guerra Peixe em Recife ele ensinou composição a Clóvis Pereira, Jarbas Maciel, Capiba e Sivuca.
Além deles, encontramos obras de Cussy de Almeida, Antônio Nóbrega, Antônio José Madureira, Duda, Marlos Nobre e José Tavares de Amorim.

Exemplos de Obras

  • nAbertura (Cussy de Almeida)
  • nCiranda armorial (Jose Tavares de Amorim)
  • nNordestinados (Cussy de Almeida)
  • nRepentes (Antonio Jose Madureira)
  • nTerno de pífanos (Clóvis Pereira)
  • nAboio (Cussy de Almeida)
  • nMourão (Guerra Peixe)
  • nPífanos em dobrado (Jose Tavares Amorim)
  • nSem lei nem rei (Capiba)
  • nKyrie (Cussy de Almeida)
  • nConcerto em Lá Maior para Violino e Orquestra de Cordas (Clóvis Pereira)
  • nGrande Missa Nordestina (Clóvis Pereira)
  • n Terno de Pifes para Duas Flautas, Cordas e Percussão (Clóvis Pereira)
  • nParandales para Duas Flautas e Orquestra de Cordas (Clóvis Pereira)
  • nArmorialis para Viola, Cello e Orquestra (Clóvis Pereira)
  • nQuarteto de Cordas (Clóvis Pereira)
  • nSuíte Nordestina (Capiba)
  • nUma Visão Nordestina: Projeto 500 Anos do Descobrimento do Brasil (Duda)
  • nA Pedra do Reino (Jarbas Maciel)
  • nPreguiça (Antônio Madureira)
  • nBaque de Luanda (Antônio José Madureira)
  • nAralume (Antônio José Madureira)
  • nRasga (Antônio Nobrega)
  • nGuerreiro (Antônio José Madureira)
  • nToada e Dobrado de Cavalhada (Antônio José Madureira)
  • nSuíte Macambira para Cello Solo (Clóvis Pereira)
  • nCantorias para Violoncelo Solo (Marlos Nobre)
  • nCiclos Nordestino (Marlos Nordestinos)

Os primeiros grupos formados de Música Armorial foram a Orquestra Armorial, que teve seu concerto inaugural no dia 21 de agosto de 1970 (meses antes da inauguração oficial do movimento), e com a cisão do movimento, o Quinteto Armorial.
A Orquestra era vinculada ao Conservatório Pernambucano de Música. Era regida por Cussy de Almeida e tinha como spalla o chileno Rafael Garcia.

Cisão do Movimento
Ariano Suassuna sempre resistiu ao fato de não haver instrumentos realmente populares na Orquestra Armorial. Cussy de Almeida justificava isto dizendo que a utilização dos instrumentos eruditos tinha a função de dar mais uniformidade sonora. Isto junto com divergências pessoais entre ele e Cussy fez com que eles se separassem e cada um seguiu sua tendência, Ariano com seu Quinteto Armorial de instrumentos populares e músicos sem formação acadêmica, e Cussy com sua orquestra de músicos de formação erudita. Os jornais eram palco dos debates entre as duas tendências.

Jarbas Maciel, compositor indispensável para a música do Movimento, demonstrava receio contra os músicos populares.

“Ele estranhava um pouco, porque ele é um músico tradicional, é um músico de
orquestra sinfônica, ele toca viola de arco, ele tem uma formação erudita, então ele achava desafinado, tá entendendo? Por que a rabeca não dá assim uma exatidão de afinação igual à do violino, mas para meu gosto eu gosto, tá entendendo? Eu gosto. Aquele som que o camarada que não gosta de mim disse: ‘Não sei que interesse Ariano Suassuna tem por aquele instrumento’... como é que ele disse: ‘rouco e constipado’. Eu gosto exatamente daquela rouquidão da rabeca, aquilo me toca muito, tá entendendo? Então os músicos de formação erudita tinham um receio porque eles achavam que aquilo era desafinação, quando não é, é um modo diferente de afinar, não é? Aquilo é uma afinação diferente.”
(Ariano Suassuna em entrevista no dia 26 de janeiro de 1999)

O Quinteto Armorial se transformou em Orquestra Romançal Brasileira, e por fim, Trio Romançal. Hoje temos a Camerata Armorial regida por Rafael Garcia e o Grupo Orange regido por Cussy de Almeida. E ainda grupos que não são armoriais, mas interpretam músicas do Movimento, como o Grupo Gesta do Rio de Janeiro e o Quinteto da Paraíba.


A Influência do Movimento no Cenário Cultural Pernambucano
Hoje em dia é grande o número de artistas e grupos pernambucanos e de outros estados que buscam inspirações na cultura popular. Grande parte deles admite a importância do Movimento Armorial e a influência por ele exercida. Mas apesar das evidências, alguns dos artistas presentes no cenário cultural pernambucano negam essas influências.

“Tem gente que é influenciada e nem aceita. São influenciados, fazem um trabalho
que surgiu a partir de um trabalho anterior. Eu digo que a melhor resposta para isso é fazer uma análise da discografia brasileira antes e depois do Quinteto Armorial. Fica muito claro o que era a música popular brasileira mesmo de raízes nordestinas.” (Antônio Madureira)

No final, assim como o Movimento Mangue Beat, as influências do Movimento Armorial é tratada com delicadeza pelos grupos musicais que surgiram depois dele. Alguns dizem que não sabem ao certo se as receberam ou não.

“Para falar a verdade a gente só foi comparado à Música Armorial depois que Ariano viu a gente, que adorou, né? E virou um fã. Aí ele descobriu elementos armoriais na música da gente que a gente ainda não tinha percebido [...] a gente já conhecia e ouvia e gostava, mas consciente a gente não tinha feito nada Armorial. Talvez assim, as vozes da gente juntas dá um timbre que parece, sei lá, alguma coisa Armorial.” (Isaar de França)

Mas receber influências do Movimento não quer dizer exatamente aceitar todos os preceitos dele. Vários grupos buscam inspiração nas brincadeiras e manifestações culturais populares. Ariano diz simpatizar com todos esses gêneros e enquanto a Chico Science que dizia “Eu também sou Armorial, o meu coração é de cerâmica” e o Movimento Mangue Beat, Ariano respondia a Chico “Então mude o nome!” mas declarava “Eu era amigo de Chico, discordava de algumas coisas, não é? Mas éramos amigos, ele gostava de mim e eu gostava dele”.

Documentário com Ariano Suassuna:


Uma obra importante na produção cultural nacional que teve influência do Movimento Armorial foi o filme “Central do Brasil” do cineasta Walter Salles. O próprio Walter assumiu tal influência, e uma das músicas da trilha sonora do filme (Toada e Desafio) é de Capiba, é Armorial.

Críticas ao Movimento
  1. 1.Ser um movimento fechado a música moderna e eletrônica.
  2. 2.Ser provinciano.
  3. 3.Não aceitar a influência americana mas aceitar a influência européia.
  4. 4.Ser elitista.
  5. 5.Ter acabado.
Sátira: Funk do Suassuna

Filme “O Palhaço Degolado”


Conclusão
“A importância do Movimento Armorial é fundamental para a compreensão das nossas raízes culturais fincadas no imaginário popular, sua musica forte, doce e contemplativa nos remete a vastidão das terras nordestinas, proporcionando-nos um retorno a nossa ancestralidade e retomando uma linha evolutiva de nosso cancioneiro que deságua na exata dimensão da compreensão plural de um país que se completa e se agiganta com suas múltiplas expressões culturais, unificando-o em sua diversidade e fortalecendo sua identidade”. (Luiz Américo)

É grande a quantidade de material produzido por gravadoras e selos independentes. Com isso fica difícil encontra-los nas lojas tradicionais do país. O movimento Armorial realmente resiste as influências culturais que não tenham nenhuma relação histórica com o folclore da região. Com isso há pouca divulgação sobre o Movimento, há pouco espaço na mídia para aquilo que não é arte de massa. Mas é possível dizer que sim, o Movimento Armorial é um movimento fértil, mesmo que praticado por um grupo limitado de pessoas.

O movimento não é tão desconhecido como parece. Recentemente a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (considerada uma das 100 melhores do mundo) fez uma turnê pela Europa e tocou em todas as cidades que visitou o Mourão de Guerra Peixe. O jornal Le Monde se referiu a orquestra como “Un Miracle Brésilen”.

A Missa Nordestina de Clóvis Pereira foi tocada na Eco 92, Rio de Janeiro.

Um Concerto para Violoncelo do mesmo compositor foi gravado por Antônio Menezes, um dos cinco melhores violoncelistas do mundo, que agora pretende grava um CD com as suítes dos principais compositores eruditos.

Uma suíte foi encomendada a Clóvis Pereira, e fará parte desse CD. Essa suíte recebeu o nome de Suíte Macambira para Cello Solo, e foi inaugurada no dia 10 de dezembro de 2007, durante o Festival Virtuosi.

Como prova da continuidade do Movimento temos a série apresentada pela Rede Globo recentemente “A Pedra do Reino” e o CD “A Música Erudita de Compositores Populares Pernambucanos” da Sociedade Artística Virtuosi.


Isso mostra que o Movimento ainda está vivo e não tem sua produção como encerrada.

Bibliografia
AMÉRICO, Luiz. Orquestra Armorial (1975). A História da MPB. 100 Discos Fundamentais da Música Popular Brasileira. In: . Acesso em: 10 de maio de 2008.

ANDRADE, Mário de. Pequena História da Música. Belo Horizonte: Itatiaia Limitada, 1987.

BOSI, Alfredo. Cultura Brasileira e Culturas Brasileiras. In: ____. (org.). Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

CAMPOS LIMA, Ana Paula. O Movimento Armorial e Suas Fases. Pernambuco, 2000. In: . Acesso em: 10 de maio de 2008.

CRUZ, Marcel. Quinteto Armorial – Do Romance ao Galope Nordestino. Sacundinbenblog, março 2008. In: . Acesso em 10 de maio de 2008.

____. Quinteto Armorial – Alardume. Sacundinbenblog, março 2008. In: . Acesso em 10 de maio de 2008.

SARAIVA MONTEIRO NETO, Josias. A Música Armorial. Olhos que Vêem, julho 2007. In: . Acesso em: 08 de maio de 2008.

SIQUEIRA, Luciano. Guerreiro do Sol. A Classe Operária, julho 2007, Especial, pág. 1. In: . Acesso em: 10 de maio de 2008.

SUASSUNA, Ariano. Iniciação à Estética. Recife: Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, 1992.

____. O Movimento Armorial. Recife: Separata da Revista Pernambucana de Desenvolvimento, V. 4, n. 1, jan/jun, 1997.

____. O Movimento Armorial. Recife: Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, 1974.