"Se a música tem um número maior de amantes do que a poesia, ou a arquitetura, ou a escultura, tal não deve ao fato de ser mais espiritual, como se costuma dizer, mas sim devido ao fato contrário: é mais sensual." Vitaliano Brancati
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A pedagogia e a performance dos instrumentos de cordas no Brasil: um passado que ainda é realidade
Resumo: O processo de aprendizado e qualificação do instrumentista de cordas, no Brasil, é prejudicado por uma série de problemas relacionados à tradição musical do povo brasileiro, à disponibilidade de ensino básico, superior e de pós-graduação qualificados, ao número de professores competentes, à obtenção de instrumentos e materiais correlatos, e ao mercado de trabalho. Minha pesquisa de doutorado sobre este assunto, finalizada em 1993 e disponibilizada pela University Microfilms International, detectou sérios problemas – que formam um círculo vicioso cujo principal componente é a formação básica desse instrumentista – agravados pela falta de perspectivas de solução.
Artigo completo aqui.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
P.Q.P. Bach
Nele você pode encontrar o áudio de várias obras de vários artistas.
Aproveitem:
P.Q.P. Bach
domingo, 3 de agosto de 2008
01 de Agosto: Dia do Maracatú
A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música junta-se, em uma mistura inesperada, ao grupo Nação Pernambuco e prestam uma homenagem a esse rítmo que era obrigatório nas senzalas e nos canaviais em dias de festa.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Ah... Chico.
Amanhã vai ser outro día x 3
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá...
"Vocês não estão entendendo NADA"
Discurso de Caetano
Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê‑la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!
Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker!
Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês.
O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho.
O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso!
Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem... se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto
a vocês... O júri é muito simpático, mas é incompetente.
Deus está solto! Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, livros. Livros, eu digo SIM! E eu digo NÃO ao não!
Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil?
Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver.
Tropicalismo: Nova atitude, nova música.
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.
Site com maiores informações sobre o movimento.
A censura não só proibia a veiculação de peças e músicas, mas também procurava interferir no processo de criação dessas obras. Chamando os compositores para explicarem suas composições, os censores surgeriam mudanças nas letras, sob pena de as músicas não serem aprovadas.
A censura apresentava-se sob dois ângulos: uma repressiva, que dizia "não", e outra, disciplinadora, que incentivava uma certa orientação na produção artística.
Os festivais organizados a partir de 1969, sem a presença de compositores consagrados, sentiram os efeitos da "diáspora" e da repressão imposta pelo AI-5 de 1968.
Em 1970, com Caetano Veloso e Gilberto Gil ainda exilados em Londres, Chico Buarque retorna ao Brasil, e seu compacto com a música "Apesar de Você" é vetado pela censura. A gravação dessa música seria permitida somente em 1978, momento em que é revogado o AI-5, no governo Geisel, e tem andamento o processo de abertura política.
Pra não dizer que não falei de flores:
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Ato Institucional No 5
Hoje pretendo falar sobre mais um exemplo de abuso de poder e desrespeito para com a liberdade e direitos da população brasileira.
O Ato Institucional No 5 (AI-5) entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, muito antes do meu nascimento. Mas eu tive a oportunidade de saber um pouco mais sobre ele quando toquei com o Quinteto Violado.
Esse ano fazem 40 anos que o AI-5 entrou em vigor. E muita gente sofreu bastante por causa dele.
O AI-5, foi um instrumento de poder que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. E entre outras ordens mandadas pelo Ato, recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político.
Leia na integra o AI-5.
Nos próximos dias pretendo falar sobre os movimentos artísticos que aconteceram durante essa época.
domingo, 11 de maio de 2008
Movimento Armorial


1950 - Auto de João da Cruz
1952 - O arco desolado
1955 - Auto da Compadecida
1957 - O casamento suspeitoso
1957 - O santo e a porca, imitação nordestina de Plauto
1959 - A pena e a lei
1960 - Farsa da boa preguiça
Trailler O Auto da Compadecida:
"Durante 3 anos me meti nos xangôs, maracatus, viajei
- nAbertura (Cussy de Almeida)
- nCiranda armorial (Jose Tavares de Amorim)
- nNordestinados (Cussy de Almeida)
- nRepentes (Antonio Jose Madureira)
- nTerno de pífanos (Clóvis Pereira)
- nAboio (Cussy de Almeida)
- nMourão (Guerra Peixe)
- nPífanos em dobrado (Jose Tavares Amorim)
- nSem lei nem rei (Capiba)
- nKyrie (Cussy de Almeida)
- nConcerto em Lá Maior para Violino e Orquestra de Cordas (Clóvis Pereira)
- nGrande Missa Nordestina (Clóvis Pereira)
- n Terno de Pifes para Duas Flautas, Cordas e Percussão (Clóvis Pereira)
- nParandales para Duas Flautas e Orquestra de Cordas (Clóvis Pereira)
- nArmorialis para Viola, Cello e Orquestra (Clóvis Pereira)
- nQuarteto de Cordas (Clóvis Pereira)
- nSuíte Nordestina (Capiba)
- nUma Visão Nordestina: Projeto 500 Anos do Descobrimento do Brasil (Duda)
- nA Pedra do Reino (Jarbas Maciel)
- nPreguiça (Antônio Madureira)
- nBaque de Luanda (Antônio José Madureira)
- nAralume (Antônio José Madureira)
- nRasga (Antônio Nobrega)
- nGuerreiro (Antônio José Madureira)
- nToada e Dobrado de Cavalhada (Antônio José Madureira)
- nSuíte Macambira para Cello Solo (Clóvis Pereira)
- nCantorias para Violoncelo Solo (Marlos Nobre)
- nCiclos Nordestino (Marlos Nordestinos)


“Ele estranhava um pouco, porque ele é um músico tradicional, é um músico de orquestra sinfônica, ele toca viola de arco, ele tem uma formação erudita, então ele achava desafinado, tá entendendo? Por que a rabeca não dá assim uma exatidão de afinação igual à do violino, mas para meu gosto eu gosto, tá entendendo? Eu gosto. Aquele som que o camarada que não gosta de mim disse: ‘Não sei que interesse Ariano Suassuna tem por aquele instrumento’... como é que ele disse: ‘rouco e constipado’. Eu gosto exatamente daquela rouquidão da rabeca, aquilo me toca muito, tá entendendo? Então os músicos de formação erudita tinham um receio porque eles achavam que aquilo era desafinação, quando não é, é um modo diferente de afinar, não é? Aquilo é uma afinação diferente.”



“Tem gente que é influenciada e nem aceita. São influenciados, fazem um trabalho que surgiu a partir de um trabalho anterior. Eu digo que a melhor resposta para isso é fazer uma análise da discografia brasileira antes e depois do Quinteto Armorial. Fica muito claro o que era a música popular brasileira mesmo de raízes nordestinas.” (Antônio Madureira)
No final, assim como o Movimento Mangue Beat, as influências do Movimento Armorial é tratada com delicadeza pelos grupos musicais que surgiram depois dele. Alguns dizem que não sabem ao certo se as receberam ou não.
Mas receber influências do Movimento não quer dizer exatamente aceitar todos os preceitos dele. Vários grupos buscam inspiração nas brincadeiras e manifestações culturais populares. Ariano diz simpatizar com todos esses gêneros e enquanto a Chico Science que dizia “Eu também sou Armorial, o meu coração é de cerâmica” e o Movimento Mangue Beat, Ariano respondia a Chico “Então mude o nome!” mas declarava “Eu era amigo de Chico, discordava de algumas coisas, não é? Mas éramos amigos, ele gostava de mim e eu gostava dele”.
Documentário com Ariano Suassuna:
Uma obra importante na produção cultural nacional que teve influência do Movimento Armorial foi o filme “Central do Brasil” do cineasta Walter Salles. O próprio Walter assumiu tal influência, e uma das músicas da trilha sonora do filme (Toada e Desafio) é de Capiba, é Armorial.
- 1.Ser um movimento fechado a música moderna e eletrônica.
- 2.Ser provinciano.
- 3.Não aceitar a influência americana mas aceitar a influência européia.
- 4.Ser elitista.
- 5.Ter acabado.
Filme “O Palhaço Degolado”
O movimento não é tão desconhecido como parece. Recentemente a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (considerada uma das 100 melhores do mundo) fez uma turnê pela Europa e tocou em todas as cidades que visitou o Mourão de Guerra Peixe. O jornal Le Monde se referiu a orquestra como “Un Miracle Brésilen”.
A Missa Nordestina de Clóvis Pereira foi tocada na Eco 92, Rio de Janeiro.
Uma suíte foi encomendada a Clóvis Pereira, e fará parte desse CD. Essa suíte recebeu o nome de Suíte Macambira para Cello Solo, e foi inaugurada no dia 10 de dezembro de 2007, durante o Festival Virtuosi.
Como prova da continuidade do Movimento temos a série apresentada pela Rede Globo recentemente “A Pedra do Reino” e o CD “A Música Erudita de Compositores Populares Pernambucanos” da Sociedade Artística Virtuosi.
Isso mostra que o Movimento ainda está vivo e não tem sua produção como encerrada.
ANDRADE, Mário de. Pequena História da Música. Belo Horizonte: Itatiaia Limitada, 1987.
BOSI, Alfredo. Cultura Brasileira e Culturas Brasileiras. In: ____. (org.). Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
CAMPOS LIMA, Ana Paula. O Movimento Armorial e Suas Fases. Pernambuco, 2000. In:
CRUZ, Marcel. Quinteto Armorial – Do Romance ao Galope Nordestino. Sacundinbenblog, março 2008. In:
SARAIVA MONTEIRO NETO, Josias. A Música Armorial. Olhos que Vêem, julho 2007. In:
SIQUEIRA, Luciano. Guerreiro do Sol. A Classe Operária, julho 2007, Especial, pág. 1. In:
SUASSUNA, Ariano. Iniciação à Estética. Recife: Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, 1992.
____. O Movimento Armorial. Recife: Separata da Revista Pernambucana de Desenvolvimento, V. 4, n. 1, jan/jun, 1997.
____. O Movimento Armorial. Recife: Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, 1974.



